Fracasso da reforma da Previdência pode inviabilizar ofertas de ações, diz presidente da bolsa Há 10 ofertas de ações para acontecer nos próximos meses, segundo Gilson Finkelsztain, presidente da B3.

25/08/2017

Um eventual fracasso do governo do presidente Michel Temer em tentar fazer aprovar a reforma da previdência ainda este ano certamente vai decepcionar o mercado financeiro e pode inviabilizar algumas ofertas iniciais de ações (IPO, na sigla em inglês) previstas para acontecer neste ano, disse nesta quinta-feira o presidente-executivo da B3, Gilson Finkelsztain.

“Seria uma decepção se não sair pelo menos uma reforma pequena”, disse o executivo a jornalistas antes da abertura do 8º Congresso Internacional de Mercados Financeiro e de Capitais.

Segundo o executivo, há várias companhias preparando apresentações (roadshows) para IPOs em setembro e mais de 10 ofertas de ações para acontecer nos próximos meses, entre IPOs e ofertas subsequentes.

Para o presidente da B3, há fatores positivos em curso que permitem prever uma expansão de longo prazo do mercado de capitais brasileiro, não apenas o de ações, como a queda dos juros e as reformas estruturais como a da previdência.

De certa forma, ponderou Finkelsztain, isso já está se refletindo na escalada do Ibovespa, principal índice acionário brasileiro, que nesta quinta-feira superou os 71 mil pontos, renovando pela terceira sessão a máxima em 52 meses.

E além das ações, o cenário de juros mais baixos tende a acelerar a busca dos investidores por outras classes de papéis, como crédito privado, disse ele.

No entanto, uma queda na liquidez internacional é um grande risco e pode abreviar essa recuperação. Além disso, uma estagnação no ciclo de reformas no Congresso Nacional e eventuais aumentos de impostos que atinjam o mercado de capitais podem limitar essa recuperação, disse o executivo.

“Ninguém hoje acha que aumentar imposto é uma solução para o país”, afirmou Finkelsztain, ressalvando porém que isso deve acontecer, dadas as dificuldades do governo federal em lidar com um enorme rombo fiscal.

Uma das iniciativas em discussão, a de aumentar impostos sobre lucros das empresas distribuídos aos acionistas na forma de dividendos ou juros sobre o capital próprio, não parece estar na agenda, disse ele. E qualquer outra iniciativa para arrecadação de recursos, como uma volta da CPMF, deveria isentar o mercado de capitais, defendeu.

“É do mercado que sairão os recursos para financiar as grandes obras de infraestrutura de que o Brasil precisa”, argumentou Finkelsztain.

O executivo, que assumiu no final de abril, após a aprovação regulatória da fusão entre BM&FBovespa e Cetip, que deu origem à B3, disse que a companhia está conversando sobre a potencial abertura de seus serviços da clearing de ações para uma potencial concorrente, a ATS.

“Mas as conversas chegaram a um impasse sobre preço, parece que o assunto será resolvido por meio de arbitragem”, disse o executivo.

Finkelsztain disse ainda que a conclusão de todas as clearings da bolsa deve acontecer neste final de semana, tornando-se operacional na segunda-feira.

Fonte: Agência Reuters